Os espetáculos selecionados pelo Casa da Ribeira em Cena 2005 apresentaram propostas cênicas bem diferentes, e trouxeram para o palco da Casa da Ribeira, dois grupos com histórias bem particulares: a Cia. dos Pequenos Atos, com menos de um ano de formação, e o Grupo Estandarte de Teatro, com mais de dez anos de história no teatro potiguar. Durante as temporadas, mais de 3.800 espectadores. Confira abaixo, como foi cada um dos espetáculos.
Seis personagens disputavam um jogo onde o vencedor ficaria com uma mala cheia de dinheiro – pelo menos é o que a maioria pensava! Um jogo que só acontecia porque as atrapalhadas Selminha e Creuza, que moravam na favela, decidiram roubar um tubo de creme de pele do Barra/Shopping. Flagradas e presas pelo segurança as duas eram levadas para o depósito do shopping. Lá, os três encontravam Douglas (empresário e dono do shopping) e Nancy (a namorada fútil) que estavam prestes a fugir da Polícia Federal. Histórias reveladas, segredos descobertos; tem-se inicio o jogo.
Livre adaptação do texto A Exclusão, do potiguar Sebastião Vicente, a peça Barra/Shopping, uma “comédia revoltante” sobre as diferenças absurdas de nossa sociedade, levou o público às gargalhadas, sem perder o foco da encenação que estava nos questionamentos sobre a realidade brasileira e a distribuição de renda do país. Se Selminha e Creuza são acusadas de roubarem um tubo de creme de pele e Douglas e Nancy, se preparam para fugir com uma mala de dinheiro, fruto da sonegação fiscal, quem verdadeiramente é criminoso?!
Contato Cia. dos Pequenos Atos
João Junior - (84) 9407-8951
Elenco: Harlane Rodrigues, João Junior, Nani Bandeira (stand in), Paulinho Lima, Titina Medeiros e Quitéria Kelly. Direção: João Junior Assistente de Direção: Marco França Direção Musical: Marco França Desenho de Luz: Daniel Rocha Figurino: O Grupo Cenografia: Mathieu Duvignaud e o Grupo Roteiro e Direção de Vídeo: Geider Henrique Xavier Preparação Ator: João Junior, Titina Medeiros e Quitéria Kelly.
50 pessoas presas, isoladas da população, portadoras de uma grave e contagiosa doença. Algumas delas, apesar de também estarem contaminadas com o mal da cegueira branca, ainda podem ver e constatar a dor e o medo dos outros confinados que já não enxergam. Os componentes do grupo em estado crítico são levados para o andar de cima do antigo prédio e lá enfrentam o medo do desconhecido e seus conflitos pessoais. Ordens são ouvidas, tons de repressão. Apenas um guia – uma corda – os conduzirá ao grupo do andar de cima, onde se juntarão aos outros e terão que enfrentar, apenas sentindo, a vida dentro da nova realidade. Dentro do mundo dos que vêem sem ver.
A descrição acima faz parte do tema proposto por José Saramago em seu livro Ensaio sobre a cegueira. Uma realidade recriada nos espaços da Casa da Ribeira, através do projeto Casa da Ribeira em Cena. O grupo em questão não é composto apenas pelos atores do Grupo Estandarte de Teatro, mas pela união deles com o público que foi até o Centro Cultural para assistir ao espetáculo Uma coisa que não tem nome. Inovadora, a peça provocou a interação da platéia que foi levada a viajar com os atores no mundo das sensações. Nada enxergado, mas ouvido, sentido. O que um som pode provocar? Que interpretação se pode extrair daquilo que não é visto, mas tocado, ouvido?
Contato Grupo Estandarte de Teatro
Lenilton Teixeira - (84) 9985-930
Atrizes: Carminha Medeiros, Dinha Vitor, Edna Paiva, Marinalva Moura, Thémis Suerda. Atores: Jonas Sales, João Lins. Atores Convidados: Marcos Martins, Mariana Guimarães. Desenho de Luz: Ronaldo Costa Figurinos (Pesquisa e Coordenação): Thémis Suerda. Ambientação Cenográfica: Lenilton Teixeira Direção Musical/Trilha: Marcos Martins Operação de Som: Henrique Fontes. Fotografia: Uliana Fechine Foto do Cartaz: Teotônio Roque Texto off: João Marcelino, Pedro Queiroga e Marco França. Imagens de Vídeo: Ascle Edição de Imagens: Fontes Dramaturgia: Lenilton Teixeira, Jefferson Fernandes e Grupo Estandarte. Direção: Lenilton Teixeira Assistência de Direção: Jefferson Fernandes Costureira: Josileide Medeiros Cenotécnico: Waldemar Ambientação acústica: Marco França Cena do Banho (Orientação Corporal): Petrúcia Nóbrega Estudos e Pesquisas: Jefferson Fernandes, Petrúcia Nóbrega e Grupo Estandarte.