Carta de Natal
Carta dos Integrantes da Rede EI - Espaços Culturais Independentes brasileiros
Natal, 01 de dezembro de 2010.
Nós, representantes de 23 espaços culturais dos seguintes estados: CE, PB, PR, AM, RN, RS, RJ, SP, PE,PI, SE, MG e DF, nos reunimos durante o EEI – Encontro de Espaços Culturais Independentes, por iniciativa da Casa da Ribeira e patrocínio da Funarte, no período de 29 de novembro a 01 de dezembro, em Natal, RN, para trocar experiências, desafios e desejos em torno das questões que envolvem a manutenção de espaços culturais que desenvolvem ações de continuidade e que não pertencem à administração pública ou a grandes corporações.
Ao longo dos três dias de trabalho, identificamos que nossos projetos e ações, em sua maioria, expressam na origem e finalidade dimensões essencialmente públicas, marcadas por iniciativas que ampliam o acesso da população aos bens culturais, apoio à formação e ao desenvolvimento da criação artística, além de incentivo à pesquisa na área da cultura, geração de emprego e renda para os diferentes atores da cadeia produtiva que envolvidos nesse setor. Essas ações contribuem de forma direta com processos educacionais, seja por meio de projetos voltados para a arte-educação, seja na formação de apreciadores e leitores da arte, ou ainda na sistematização e difusão de conhecimento na área.
Por esta razão, acreditamos que a existência desses e outros espaços culturais espalhados pelo país, contribuem de forma decisiva para que o direito à cultura, assegurado pela Constituição Federal, seja de fato exercido por um número maior de brasileiros e brasileiras. Porém, se por um lado os espaços que mantemos são geradores de oportunidades culturais para a população e cumprem parte de um papel originalmente governamental, por outro, esses espaços sobrevivem enfrentando cotidianamente desafios como a falta de recursos, a burocratização de processos para financiamentos na esfera pública, a falta de políticas públicas estruturantes para a área da cultura e que levem em consideração a realidade de espaços como esses, além de desafios de formação na área de gestão e sustentabilidade para manutenção dos espaços independentes.
É nesse contexto descrito acima que o primeiro EEI – Encontro de Espaços Culturais Independentes aprofundou discussões, possibilitou uma rica troca de experiências entre os responsáveis por esses espaços e também com representantes do Ministério da Cultura. E, na sua plenária final aprovou a criação da Rede EI, descrita abaixo.
REDE EI!
O QUE É?
Uma rede de colaboração entre espaços culturais independentes que desenvolvem ações de continuidade e procuram criar alternativas de acesso, fruição, formação, produção e difusão cultural. Esta rede tem, entre outros, o objetivo de construir diretrizes para auxiliar a estruturação de políticas públicas para Espaços Culturais que aqui denominamos independentes por não terem vínculos governamentais diretos e nem integram grandes corporações ou instituições ligadas a empresas de grande porte. A articulação política dos representantes desses espaços, para ações em prol deste segmento da cadeia produtiva da cultura também é objetivo da Rede EI.
QUEM SOMOS?
Espaços que desenvolvem ações culturais de continuidade, onde a cultura é entendida como processos de desenvolvimento humano e social, que expressam a diversidade de formas de ver, sentir, entender e se relacionar de uma nação. Além disso, esses espaços creditam especial valor aos processos artísticos e pedagógicos gerados por suas iniciativas em contraponto a uma visão reducionista da arte e da cultura como simples produto ou mercadoria.
O QUE QUEREMOS?
Por meio da articulação horizontal e da colaboração entre os diferentes espaços culturais, objetivamos gerar sinergia capaz de difundir, fortalecer, aperfeiçoar e potencializar a atuação de cada um dos espaços participantes, assim como criar um coletivo que gradativamente possa representar o segmento de "espaços independentes". Para isso, elencamos três eixos principais:
- I – Conhecimento – sistematizar e disseminar conhecimento e tecnologias sociais na área cultural através de ações que visem registrar e difundir os modelos de gestão desses espaços e as novas formas de fruição artística;
- II – Compartilhamento – compartilhar programações de atividades culturais, modelos de gestão, demandas e ideias para o segmento, assim como gerar possibilidades de interfaces entre projetos, ações e espaços;
- III – Articulação Política – compreendida como "a arte de ocupar espaços", a articulação política que constitui este eixo é o ponto de partida de construção da Rede EI que, ao facilitar a troca de conhecimentos entre os representantes do Espaços Culturais Independentes e a construção de uma carta de necessidades e ações comuns, inicia um diálogo entre estes espaços, que em breve poderão colaborar com o poder público, nas esferas federal, estadual e municipal, para construção de políticas públicas estruturantes para este segmento.
Como a REDE EI irá atuar?
- Por meio de um site, blog e redes sociais, através de reuniões virtuais e encontros presenciais quando possível e necessário;
- Criando grupos de trabalho (GTs) que desenvolvam estratégias nas seguintes áreas:
- GT1 – Circulação – incentivar a circulação, bem como a troca de tecnologias entre espaços;
- GT2 – Mapeamento - iniciar a construção empírica de um mapeamento regional de espaços culturais de natureza similar e que possa contribuir para que seja feito um mapeamento mais substancial e de cunho científico em um segundo momento;
- GT3 – Comunicação – integração e divulgação de informações de interesse da rede, garantindo a troca de informações em tempo real entre seus integrantes e também a criação de um núcleo de assessoria de comunicação, para a propagação dos pensamentos e ações da rede aos diversos segmentos da sociedade brasileira.
- GT4 – Articulação Política – Desenvolvimento de propostas estruturantes para políticas públicas destinadas ao segmento; fiscalização, cobrança e diálogo com o Ministério da Cultura, a FUNARTE e demais instâncias do governo ligadas direta ou indiretamente ao segmento; redação de documentos e elaboração de projetos de cunho político para os Espaços Culturais Independentes do Brasil.
Assim, em 01 de Dezembro de 2010, fica fundada a Rede EI, constituída pelos espaços culturais independentes e por seus representantes que abaixo assinam:
Alpendre Casa de Arte, Pesquisa e Produção, CE
Francisco das Chagas Miranda Alves;
Atelier Subterrânea, RS
Lilian Maus Junqueira;
Campo das Artes, PR
Luiz Alberto Melo;
Capacete, RJ
Helmut Batista;
Casa da Arte de Educar, RJ
Sueli de Lima Moreira;
Casa Rua da Cultura, SE
Lindemberg Monteiro da Silva;
Centro Cultural b_arco, SP
Gabriel Bezerra Pinheiro de Souza;
Centro Cultural DoSol, RN
Anderson Foca;
Centro Cultural Piollin, PB
Ana Luisa dos Santos Camino
Conexão Felipe Camarão, RN
Vera Santana;
Espaço Cultural Casa da Ribeira, RN
José Edson da Silva;
Espaço Cubo – Fora do Eixo, GO
Felipe Altenfelder Silva;
Espaço Muda, PE
Jorge Féo;
Espaço Mundo, PB
Rayan Lins Cordeiro;
Espaço Trilhos do Teatro, PI
Francisco Antônio Vieira(Pelle);
Fundação Brasileira de Teatro, DF
Francis Wilker de Carvalho;
Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri, CE
Francisco Alemberg de Souza Lima;
Galpão Cine Horto, MG
Francisco Paulo Pelúcio;
Galpão das Artes, PE
Fábio André de Andrade Silva;
Instituto Ludovicus, RN
Daliana Cascudo;
Teatro Armazém , PE
Paula de Renor;
Teatro Cuíra, PA
Wladilene de Souza Lima;
Teatro Vila Velha, BA
Vinicio de Oliveira.