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Agora em cartaz

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  2010
Nova exposição
 
O corpo barroco


“passaros e leões nos habitam, são nosso corpo-bicho”

Ligia Clark

“Corpo-vibrátil, sensivel aos efeitos das agitadas moviemtações dos fluxos ambientais que nos atravessam. Corpo-ovo, no qual germinam estados intensivos desconhecidos provocados pelas novas composições que os fluxos, passeando para lá e pra cá, vão fazendo e desfazendo.”

Suely Rolnik

O corpo barroco é uma espécie de levantamento de sintomas da vivência de um corpo genérico, em torno das questões do mundo e de que forma elas, as questões, entram, passam e fazem parte de sua trajetória e existência. Desde a educaçao, à ciência, o pensamento, a história, os fluídos, a comida, o ar, a dor, o prazer, o desenvolvimento, a tecnologia, os remédios, a meditação, as doenças e o silicone, etc…

A idéia do corpo barroco é poétia, ficcional e utópica. Penso num corpo “esponja” absorvente, aerado, aberto, vulnerável. E claro que ele também é firme, tem seu próprio poder, sua força, couraças e defesas. Uma espécie de “inteligência” própria, e suas ações que muitas vezes nos surpreendem. Fico prostado diante de um corpo que embora tragamos por toda a vida, e pensamos que o conhecemos, e derrepente ele nos surpreende com uma pergunta ou resposta, que não podemos entender. O Corpo Barroco é o corpo in progress, circular e inacabado. Ate mesmo o ciclo da vida parece não dar conta desta ação circular e imperfeita que o corpo parece propor desde todos os tempos. O corpo barroco, como assunto neste projeto, talvez seja mais uma reflexão em torno do “preenchimento” do corpo sem orgãos, visto que o barroco tem horror ao vazio, e celebra o efemero, outro pressuposto da glória barroquista.

O corpo barroco é o corpo contemporâneo, grávido, jogado pra lá e pra cá, inflado de desejos, abortando conceitos, expirando palavras, e espalhando idéias. Como todo trabalho artístico, este é o do corpo plantado no terreno em exposição, neste caso, rendido à poética, já que a política, a medicina e a filosofia, desencarnaram.

Carlos Mélo

Recife, agosto de 2010.









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